|
Página 1 de 5 Não deu para segurar a era das trevas da Idade Média e os europeus começaram a "botar as manguinhas de fora". Tenho a impressão de que pararam de perseguir, prender e queimar os "bruxos da criptografia" porque os interesses de Estado dependiam cada vez mais de criptógrafos e criptoanalistas qualificados
Todos os governos da Europa Ocidental usavam a criptografia de uma ou de outra forma e a codificação começou a tornar-se mais popular. Era prática comum usar cifras para manter contatos com as embaixadas.
|
|
Substituição Polialfabética e Criptoanálise |
|
|
1466 |
Leon Battista Alberti (1404-1472) era amigo de Leonardo Dato, um secretário pontificial que o aproximou da criptologia. Alberti inventou e publicou a primeira cifra polialfabética, criando um disco de cifragem para simplificar o processo, conhecido como Disco de Alberti (que foi reeditado como um brinquedo chamado "Captain Midnight Decoder Badge"). Ao que tudo indica, esta classe de cifra não foi quebrada até os anos de 1800. Alberti também tem muitos escritos sobre o estado da arte de cifras, além da sua própria invenção. Usou seu disco para facilitar a obtenção de criptogramas. Estes sistemas eram muito mais fortes do que a nomenclatura usada pelos diplomatas da época e foram aplicados durante muitos séculos.
O "Trattati in cifra" de Leon Battista Alberti foi publicado em Roma, na Itália, em 1470. Continha "especialmente teorias e processos de cifragem, métodos de decifração e dados estatísticos" (Galland). |
|
|
1473-1490 |
"Um manuscrito [...] de Arnaldus de Bruxella usa cinco linhas de cifras para ocultar a parte crucial da operação da alquimia que fazia a pedra filosofal." (Kahn) |
|
|
1474 |
Em 1474, Sicco Simonetta publicou "Regulae ad extrahendum litteras zifferatas sine exemplo", um pequeno trabalho ressaltando "métodos de decifração e fornececendo dados estatísticos consideráveis" (Galland). "A data do pequeno ensaio de Simonetta sobre cifras é importante porque se tratava de um período no qual a criptologia se tornou prática universal, quando cifras simples evoluíram para criptogramas complicados." (Thompson). |
|
|
1518 |
Johannes von Heydenberg aus Trittenheim/Mosel, ou Johannes Trithemius (1462-1516), escreveu o primeiro livro impresso de criptologia. Inventou uma cifra esteganográfica na qual cada letra era representada por uma palavra obtida de uma sucessão de colunas. A série de palavras resultantes ficava parecida com uma oração legítima. Também descreveu cifras polialfabéticas na forma de tabelas de substituição retangulares que, na época, já tinham se tornado padrão. Introduziu a noção da troca de alfabetos a cada letra.
Trithemius escreveu, porém não publicou, sua Steganographia, a qual circulou como manuscrito por mais de cem anos, sendo copiada por muitas pessoas que desejavam extrair os segredos que se pensava que continha. A verdadeira história do feiticeiro que conjurava espíritos e praticava magia negra você encontra em "O Segredo do Terceiro Livro". Altamente interessante, recomendo a leitura.
A Polygraphiae libri sex de Trithemius, a qual incluía sua tabela de substituição Tabula Recta Caesar, foi publicada em 1518, apesar de haver dúvidas quanto à data correta. Foi reimpressa em 1550, 1564, 1571 e 1600. Uma tradução em Francês apareceu em 1561 e em 1564. (Galland) |
|
|
1526 |
O livro Opus novum ... principibus maxime vtilissimum pro cipharis, de Jacopo Silvestri, é impresso. A obra discute seis métodos de cifras, inclusive a cifra de César, para a qual ele recomenda o uso de um disco de cifragem. Opum novum foi escrito para ser um manual prático de criptologia que "claramente pretendia alcançar um vasto círculo de leitores". (Arnold)
Na figura ao lado, observe que o alfabeto-chave de Silvestri não possuía as letras j, v, w e y. "No disco, as três marcas que sucedem o Z representam: & para et; um símbolo usado comumente no Latim medieval para significar us ou um no final de palavras (p.ex., plurib& = pluribus), ou com, con, cum ou cun no início de palavras (p.ex., &cedo = concedo); e um símbolo usado para rum, a terminação do genitivo plural latino (illo& = illorum). O zig-zag no centro da figura deve corresponder a uma pequena manivela para girar os discos móveis". (Arnold) |
|
|
1533 |
Heinrich Cornelius Agrippa von Nettelsheim (1486-1535) publica o De occulta philosophia, em Colônia, na Alemanha. No livro 3, capítulo 30, descreve sua cifra de substituição monoalfabética, hoje conhecida como Cifra Pig Pen. A tradução literal do nome é Porco no Chiqueiro e vem do fato de que cada uma das letras (os porcos) é colocada numa "casa" (o chiqueiro). Na época, a cifra parece ter tido importância pois, alguns anos mais tarde, Vigenère a reproduz no seu Traicté des chiffres, ou secretes manieres d'escrire (Paris, 1586, f. 275 v). Aparentemente, esta cifra foi utilizada pela sociedade secreta dos franco-maçons. |
|
|
1540 |
Giovanni Battista Palatino publicou seu Libro nvova d'imparare a scrivere ... Con vn breue et vtile trattato de le cifere. Foi reimpresso em 1545, 47, 48, 50, 53, 56, 61, 66, 78 e 1588. Uma versão revisada foi impressa em 1566, 78 e 88. |
|